Tudo começou com um sonho. Depois veio a ideia de um passeio. Por fim, transformou-se em uma grande história de aventura, turismo e valorização cultural. Um grupo de ciclistas das cidades de Lavras e São Thomé das Letras decidiu percorrer um dos mais importantes roteiros históricos do Brasil: a Estrada Real, considerada a maior rota turística do país.
O projeto foi idealizado pelo turismólogo e historiador Wagner Gonçalves da cidade de Lavras Sul de Minas, pesquisador dedicado à valorização do patrimônio histórico e cultural de Minas Gerais. Com forte interesse pela história regional e pelas antigas rotas do ciclo do ouro, Wagner estruturou uma proposta de cicloturismo que uniu esporte, educação patrimonial e turismo histórico.
Durante cerca de seis meses de planejamento e organização, foram realizados estudos de percurso, levantamento histórico e articulação institucional para viabilizar a expedição. O projeto buscou não apenas realizar a travessia ciclística, mas também promover o conhecimento sobre os caminhos históricos que marcaram a formação econômica e cultural do Brasil colonial.
A Estrada Real tem origem nos séculos XVII e XVIII, quando a Coroa Portuguesa estabeleceu caminhos oficiais para transportar ouro e diamantes das regiões mineradoras de Minas Gerais até os portos do Rio de Janeiro. Esses caminhos se tornaram fundamentais para o controle da produção mineral e para a circulação de pessoas e mercadorias durante o período colonial. Atualmente, a rota turística da Estrada Real possui cerca de 1.600 quilômetros de extensão, atravessando mais de uma centena de municípios e conectando três estados brasileiros — Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. O percurso inclui quatro grandes trajetos históricos: Caminho Velho, Caminho Novo, Caminho dos Diamantes e Caminho do Sabarabuçu.
Nesse contexto, o projeto idealizado por Wagner Gonçalves contou com o apoio institucional de 33 municípios e três estados brasileiros, demonstrando a força da cooperação regional e o potencial do turismo histórico como instrumento de valorização do patrimônio cultural.
Mais do que uma jornada esportiva, a iniciativa representou um movimento de reconhecimento da memória dos caminhos coloniais, incentivando o turismo sustentável, a preservação da história e o fortalecimento das identidades locais ao longo da Estrada Real.
O projeto foi uma forma de unir as documentações para a inclusão de Lavras no roteiro da Estrada Real.
Fotos: Grupo sendo recepcionados pelas cidades e seus representantes, prefeitos e secretários municipais.


































