Lavras (MG) – A história de uma cidade é construída pelas mãos daqueles que dedicam sua vida ao conhecimento, à cultura e à preservação da memória coletiva. Com esse propósito, o Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural de Lavras criou o Prêmio Professor José Luiz de Mesquita, uma honraria destinada a reconhecer cidadãos, instituições e personalidades que se destacam por suas relevantes contribuições à educação, à cultura e à valorização do patrimônio histórico do município. A escolha do nome da premiação representa um tributo a um dos maiores personagens da história lavrense. Professor, jornalista, líder comunitário e defensor da cultura popular, José Luiz de Mesquita dedicou grande parte de sua vida à transformação social por meio da educação. Ao longo de aproximadamente quatro décadas de atuação como educador, foi responsável pela alfabetização de milhares de trabalhadores e jovens, tornando-se uma referência no ensino popular em Lavras. Pesquisas apontam que sua atuação na Escola Noturna de Lavras alcançou cerca de 5.250 alunos, muitos deles trabalhadores que encontraram na educação uma oportunidade de mudança de vida. Além da sala de aula, José Luiz de Mesquita teve intensa participação na vida cultural e social da cidade. Foi fundador da Sociedade Operária Lavrense, da tradicional Corporação Musical Euterpe Operária e do jornal O Operário, além de colaborar com diversos periódicos brasileiros e estrangeiros. Sua atuação também esteve ligada à defesa da população negra, ao movimento operário, à imprensa e à preservação da memória histórica de Lavras. Entre seus legados mais importantes está a luta pela preservação da Igreja de Nossa Senhora do Rosário, um dos principais símbolos da história de Lavras. José Luiz de Mesquita teve papel fundamental no processo de reconhecimento e proteção desse patrimônio, garantindo que as futuras gerações pudessem conhecer e valorizar essa parte da identidade lavrense.

Ao instituir uma premiação com seu nome, o Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural de Lavras reafirma a importância de manter viva a memória daqueles que fizeram da educação e da cultura instrumentos de transformação da sociedade. Mais do que uma homenagem ao passado, o Prêmio Professor José Luiz de Mesquita representa um compromisso com o presente e o futuro de Lavras, valorizando homens e mulheres que, em diferentes áreas, continuam a construir uma cidade mais consciente de sua história, de sua identidade e de seu patrimônio cultural.

A homenagem torna-se, assim, um gesto de reconhecimento àqueles que seguem o exemplo de José Luiz de Mesquita: pessoas que inspiram gerações, preservam memórias e transformam realidades por meio do conhecimento, da cultura e do compromisso com a comunidade.

HOMENAGEADOS 2026

  1. Zenita Cunha Guenther, PhD, nascida em Cruzeiro (SP), em 19 de junho, é doutora em Psicologia da Educação pela Universidade da Flórida (EUA) e mestre em Orientação e Aconselhamento Psicológico pela Universidade do Sul da Flórida (EUA). Com uma trajetória acadêmica e profissional marcada pelo compromisso com a educação, dedica-se há mais de cinco décadas à pesquisa, ao ensino e à prática na área da Educação Especial, com ênfase no atendimento a estudantes com altas habilidades, superdotação e talentos. Sua atuação tornou-se referência nacional e internacional, destacando-se especialmente na formação de professores, pesquisadores e profissionais.
  2. Vanda Amâncio Bezerra Mendes, carinhosamente conhecida como Dona Wandinha, eterniza sua trajetória de vida por meio da autobiografia Vozes do Tempo, uma obra que reúne memórias, experiências, histórias e reflexões construídas ao longo de quase um século de existência. Reconhecida em Lavras por sua dedicação à educação, à cultura e ao desenvolvimento da comunidade, Dona Wandinha construiu uma história marcada pela sensibilidade, pela generosidade e pelo compromisso em preservar as tradições e a memória coletiva. Psicopedagoga, educadora, escritora e cordelista, fez da palavra, do ensino e da convivência humana instrumentos de transformação e inspiração para diferentes gerações.
  3. Wagner Raimundo Gonçalves é um pesquisador, historiador, pedagogo e turismólogo lavrense que dedicou sua trajetória à preservação da memória, da história e do patrimônio cultural de Lavras, no Sul de Minas Gerais. Sua atuação se destaca pela pesquisa histórica, educação patrimonial, turismo cultural e pela valorização da identidade do povo lavrense.Movido pelo interesse em compreender e divulgar as origens da cidade, Wagner iniciou, em 1999, uma ampla pesquisa sobre a história de Lavras, trabalho que deu origem ao Projeto Histórico e Cultural de Lavras, consolidado posteriormente como o Projeto Visão – Memórias e Patrimônios de Lavras. Desde então, vem realizando pesquisas em arquivos, museus e bibliotecas, reunindo um importante acervo composto por documentos, fotografias, objetos históricos e relatos da comunidade.Ao longo de mais de duas décadas de dedicação, promoveu centenas de palestras, exposições, visitas guiadas e atividades educativas, aproximando estudantes, professores, pesquisadores e moradores da história local. Seu trabalho contribuiu para fortalecer a educação patrimonial e ampliar o sentimento de pertencimento da população em relação aos bens culturais de Lavras.Na área do patrimônio cultural, Wagner Gonçalves exerceu a presidência do Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural de Lavras por dois mandatos, permanecendo como conselheiro municipal. Sua atuação foi reconhecida com a indicação ao Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade, promovido pelo IPHAN, além de receber o Título de Honra ao Mérito da Câmara Municipal de Lavras e a Medalha Heróis Expedicionários do Ceará, pelo trabalho de resgate da história dos ex-combatentes lavrenses.

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